Um site imobiliário que se lê como revista
Três imóveis, nenhum filtro e muito papel em branco. O raciocínio editorial por trás do portfólio de Denis Ruppelt.
O site imobiliário padrão é uma planilha com fotos: filtros de bairro, faixas de preço, dezenas de cards iguais. Funciona para quem vende volume. Denis Ruppelt faz o contrário. Ele escolhe poucos empreendimentos e se responsabiliza por cada um. O site precisava dizer isso sem precisar dizer.
Escassez como argumento
A home apresenta três endereços. Não há "ver mais". Cada um recebe uma página inteira, com número, título e texto corrido, como uma matéria de revista de arquitetura. A ausência de catálogo é a primeira prova de critério.

Não trabalho com volume: trabalho com convicção.
Desenhar em vez de fotografar
Fotos de fachada se parecem todas. Por isso cada imóvel ganhou um desenho em linha que resume a arquitetura em um gesto: curvas e um sol para o Gran Oscar, três torres para The Rose, uma grade para The Collection. As fotos continuam lá, dentro das páginas, mas a primeira impressão é autoral.
Noite e papel
O hero é escuro, com a torre em fotografia e a tipografia serifada em bege e cobre. Logo depois a página vira papel claro, e o ritmo muda de vitrine para leitura. Essa alternância acompanha o site inteiro e dá ao visitante pausas naturais.
No fim, o corretor aparece em retrato, com uma frase dele, antes do botão de WhatsApp. Em um mercado de alto padrão, a última coisa que a pessoa quer ver antes de conversar é outra pessoa, não um formulário.
Guilherme Barroso CostaDireção criativa e design na Rosta. Escreve aqui sobre o que aprende construindo.